Pensar sobre um lugar, um lugar que se ocupe de alguma forma, onde a gente se sinta em casa e confortável para ser quem é sem julgamentos ou críticas.
Onde se sinta protegido e seguro para viver e expressar vontades e desejos sem medo de ser mal interpretado ou policiado de alguma forma.
A cada dia mais esta kajira tem percebido que este lugar se chama "a própria pele" e que jamais existirá um lugar afetivo onde se chame "lar" maior ou melhor que este.
Quanto mais esta menina mergulha e suas reflexões mais ela entende que o ato de Ser uma Escrava ou o processo de se descobrir uma é algo que exige espaço na própria pele.
É necessário acomodar todos novos aprendizados e estudos. Encaixar as partes e pedaços não por serem novos mas por que estavam relegados a uma obscuridade.
Obliquados e esquecidos como algo feio e sujo. Uma vez que se assume que é preciso buscar a verdade, chega a hora de puxar de dentro para fora oque antes estava distorcido.
Mais que isto é preciso "vestir" esta nova "pele" e como dizem nas redes sociais; Sambar na cara da Sociedade. Esta menina sente muita falta disto.
Por vaidade? Sim. Por necessidade? Também. Para testar meu desempenho? Com Certeza. Perceber o desejo, a cobiça, a inveja, o amor, o ódio, a latência, o visceral, o verdadeiro, o natural, o instintivo.... Sim, sim e sim!
Tudo isto tem feito falta e bloqueado o fulgor desta kajira. E Mesmo entendendo que as coisas são todas conectadas e em constante processo, as vezes o medo de que a velha pele se reimplante no corpo desta escrava, a invade.
Medo de que a velha pele surja, mais forte que nunca reivindicando algo que ela pense ser dela. Que suplantante a pele nova que ainda é frágil, pois não se expôs ao sol.
Uma máscara velha, gasta e mentirosa, mas que por exatamente estes motivos é extremamente confortável. Esta menina sente que vive um momento perigoso e crucialmente importante, um estágio de transição e afirmação.
Uma vez me disseram que medo e angustia são sinais claros de que algo estaria fora da ordem. Eu, do alto da minha ignorância acho que medo e angustia se sente quando damos importância a algo.
Neste caso, como não iniciei tudo isto levianamente, temo sim, tanto com a trajetória desta escrava, quanto com o destino dela. Mais isto também não seria normal?
Noto e tenho aprendido que tudo deve passar pela confiança, uma confiança cíclica ...Confiar na história de vida, nas experiências, na ética, na honra. Do passado manter as coisas boas e confiar em dias de um futuro melhor.
Kajira Rubi

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