domingo, 23 de agosto de 2020

O Camisk


Existe uma história sobre um sábio que certa vez foi procurado por um homem, altamente insatisfeito, por morar em um casebre de apenas um comodo e juntamente com ele mais cinco pessoas. 

A reclamação obviamente, era que não havia espaço, organização, conforto ou mesmo a menor privacidade em sua moradia. 

O velho sábio então o aconselhou a procurar um boi e levar  e colocar dentro de casa por um mês inteiro e depois retornar. ao cabo do prazo o homem retorna ao sábio relatando que além de todos os problemas anteriores agora a casa era merda pura, sujeira, mal cheiro e mugidos dias e noites inteiros.

-Muito bom - Disse o ancião - Agora volte para casa e devolva o boi ao pasto. Não preciso relatar aqui que ao fazer isto, o seu lar retorna a condição anterior e vira ao seu olhar, o paraíso que antes ele não percebia.

Assim existe em Gor uma relação entre nudez e nível de escravidão. Quanto mais nua a escrava mais a baixo ela está até mesmo das outras escravas.

Uma escrava quando recém adquirida ou capturada é colocada apenas colares, anéis escravos e marca no canil dos escravos e para ela obter um pente para pentear os  cabelos, um pedaço de sabão para se lavar ou até mesmo um precioso trapo de tecido rep para cobrir seu corpo, ela precisará reconhecer-se escrava e totalmente dependente do seu Mestre.

Ela, agora não mais uma Mulher Livre, mas uma posse, uma garota escrava, deverá se submeter e aprender a agradar ao seu Mestre dando a ele satisfação e prazer. Assim, quando ela ganha seu primeiro camisk ela fica muito feliz e orgulhosa de si mesma, ao contrário do que ocorreria caso o trapo fosse lhe entregue diretamente logo após sua aquisição.

Sua menina entende agora e sente a necessidade profunda agradar, ser  aprazível e merecedora do primeiro camisk. 

Kajira Rubi,

Na Própria Pele


Pensar sobre um lugar, um lugar que se ocupe de alguma forma, onde a gente se sinta em casa e confortável para ser quem é sem julgamentos ou críticas.

Onde se sinta protegido e seguro para viver e expressar vontades e desejos sem medo de ser mal interpretado ou policiado de alguma forma.

A cada dia mais esta kajira tem percebido que este lugar se chama "a própria pele" e que jamais existirá um lugar afetivo onde se chame "lar" maior ou melhor que este.

Quanto mais esta menina mergulha e suas reflexões mais ela entende que o ato de Ser uma Escrava ou o  processo de se descobrir uma é algo que exige espaço na própria pele.

É necessário acomodar todos novos aprendizados e estudos. Encaixar as partes e pedaços não por serem novos mas por que estavam relegados a uma obscuridade.  

Obliquados e esquecidos como algo feio  e sujo. Uma vez que se  assume que é preciso buscar a verdade, chega a hora de puxar de dentro para  fora oque antes estava distorcido.

Mais que isto é preciso "vestir" esta nova "pele" e como dizem nas redes sociais; Sambar na cara da Sociedade. Esta menina sente muita falta disto. 

Por vaidade? Sim. Por necessidade? Também. Para testar meu desempenho? Com Certeza. Perceber o desejo, a cobiça, a inveja, o amor, o ódio, a latência, o visceral, o verdadeiro, o natural, o instintivo.... Sim, sim e sim!

Tudo isto tem feito falta e bloqueado o fulgor desta kajira. E Mesmo entendendo que as coisas são todas conectadas e em constante processo, as vezes o medo de que a velha pele se reimplante no corpo desta escrava, a invade.

Medo de que a velha pele surja, mais forte que nunca reivindicando algo que ela pense ser dela. Que suplantante a pele nova que ainda é frágil, pois não se expôs ao sol. 

Uma máscara velha, gasta e mentirosa, mas que por exatamente estes motivos é extremamente confortável. Esta menina sente que vive um momento perigoso e crucialmente importante, um estágio de transição e afirmação.

Uma vez me disseram que medo e angustia são sinais claros de que algo estaria fora da ordem. Eu, do alto da minha ignorância acho que medo e angustia se sente quando damos importância a algo. 

Neste caso, como não iniciei tudo isto levianamente, temo sim, tanto com a trajetória desta escrava, quanto com o destino dela. Mais isto  também não seria normal? 

Noto e tenho aprendido que tudo deve passar pela confiança, uma confiança cíclica ...Confiar na história de vida, nas experiências, na ética, na honra. Do passado manter as coisas  boas e confiar em dias de um  futuro melhor.


Kajira Rubi