sexta-feira, 24 de abril de 2020

O Tempo do Novo


Quando se está em um processo de reconstrução diária, cada dia, horas(Ahn), minutos(Ehn) e segundos(Ihn) são sentidos intensamente.

O tempo custa a passar e cada nuance de cor e sabor, é sentida profundamente. Ah, como custa! cada dor, cada lágrima e cada  sorriso. Tudo custa! e cada instante de felicidade é recebido com imensa alegria e sofreguidão.

E é por isso mesmo que estes momentos de alegria, a cada nova conquista é motivo também para comemorar. Relembrar quais os sentimentos,  ali  envolvidos e os caminhos trilhados.

Comemorar o fato, de que mesmo sendo moroso e amargo, chega a hora do Velho Tempo fazer as malas e partir e então  chega no lugar  dele,  o  tempo do Novo.

Quando o Novo chega, deve encontrar a casa  limpa e arrumada e a passagem do Velho, deve ser uma memória afetiva de profundo respeito pela ilustre visita, seu presente especial e a oportunidade de aprender.

O Novo vai avaliar,  de que forma lidamos com as provações  do Velho, e se estamos realmente preparadas para a visita dele. Caso a resposta seja negativa ele vira as costas e vai embora e o Velho volta para ensinar tudo de novo, até que enfim, aprendermos seus ensinamentos.

Caso seja positiva a avaliação dele, então ele entra e começa seu trabalho ali, naquele lugar e com aquela pessoa que o recebe..No caso eu, a escrava.

Então ele me pergunta; -Menina, oque você aprendeu?- Eu sorrio e olhando  no fundo dos olhos dele respondo: - Eu aprendi  que me amo e me respeito, sendo exatamente oque eu quero ser, aprendi a não me incomodar com o resultado disto, mas ao contrário, aproveitar nos mínimos detalhes. 

-Eu aprendi também - Continuo -  Que quando  eu persisto em realizar meus sonhos, eu honro a minha historia passada e vindoura. Aprendi que quanto mais eu me amar mais eu tenho a oferecer, a doar e a entregar.

Ouso erguer os olhos e sorrir para Ele - E quanto  mais eu entrego, mais eu tenho a entregar, porque ao me amar e buscar me entender, eu gero em mim mesma a capacidade de amar e entender ao  outro.

-Quando chego em uma casa, cada um reage de uma forma - Ele diz sem esclarecer muito - Fale mais...

-Quando se é feliz com oque se tem, nada mais importa e se consegue ser feliz. Ao me dar a chance de ser uma escrava treinada e moldada para agradar  aos desejos de meu Mestre eu sou muito feliz. 

-Sou feliz  por que neste  pouco tempo eu percebo, que ser kajira é simplesmente entregar e obedecer a qualquer coisa  que ele queira de mim, ele próprio vai dizer suas vontades e eu não preciso me consumir tentando adivinhar  nada.

-Não tente adivinhar Nunca!.

-Eu te agradeço Meu Mestre, pela paciência com esta  escrava e pela oportunidade que tem me dado. Por doar-se, premiando a esta kajira... O Velho e o Novo dando sempre a oportunidade para quem deseja acertar e aprender.

-Você Fala demais - Desfere um tapa no rabo deste animal e conclui - Cala a boca e Me traga Vinho Ka-la-na.

O vinho é servido.

-Agora Dance até eu dizer que pare e que venha aqui do meu lado, isto é claro, se sua dança me agradar...

-É claro - penso e corro para o tapete da submissão.

Longa e silenciosa é a noite.


Kajira Rubi,

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